Stephen King - Zona Morta


Uma zona que não devia ficar esquecida...

Após passar cinco anos em coma profundo, Johnny Smith, um simples professor, acorda de seu estado inconsciente não reconhecendo certos objetos. Segundo os médicos, Johnny está com uma área de seu cérebro danificada, a qual eles chamam de Zona Morta. Entretanto, este será o menor dos problemas na vida de Johnny daqui para frente. Ele agora é capaz de, com um simples aperto de mão, saber fatos do passado das pessoas e prever seu futuro. Para aqueles que estão a sua volta, esta é uma dádiva. Para Johnny, não passa de uma maldição.

Com isso, o professor torna-se popular, atraindo um número crescente de pessoas em busca de previsões.

Mas, ao apertar a mão de Greg Stillson, um inescrupuloso político norte-americano, Johnny será atormentado por uma visão apocalíptica. Ele será, então, obrigado a tomar uma decisão que pode mudar não só a sua, como a história de todo o mundo.

Publicado originalmente em 1979, A Zona Morta ganhou uma versão cinematográfica ("A Hora da Zona Morta") em 1983, dirigida pelo cineasta canadense David Cronenberg e estrelada por Christopher Walken (Johnny Smith) e Martin Sheen (Greg Stillson).

O QUE ACHEI:

A história de John Smith é chocante e envolvente. Nenhum leitor ficará imune e não se emocionará com a vida desse rapaz simples, de origem humilde, cujo maior sonho era viver feliz, casar com Sarah (sua namorada) e ter sua família, seu emprego e ponto. Mas que, de repente, por causa de acidente automobilístico, cai em coma profundo, do qual só vai acordar... sete anos depois.


A 'zona morta' do seu cérebro é uma parte que jamais vai se recuperar, segundo os médicos, e que 'engole' diversas coisinhas, conceitos, ideias, lembranças e palavras que ele conhecera. Mas, em compensação, lhe devolve um dom (ou maldição?) terrível: O de prever futuro e vislumbrar o passado das pessoas em quem toca.

John, a partir daí, tenta deixar aquelas sensações de lado, mas é impossível. Logo, muita, muita gente quererá tocá-lo para que ele "preveja" o seu futuro. E chegará uma hora em que esse mesmo público maluco irá apedrejá-lo, caluniando-o, odiando-o por esse mesmo dom que, um dia, o tornou querido e famoso.

E quando John toca a mão do vigarista Stillson, as coisas se tornam ainda mais sombrias.

O que dá pena, é o amor entre ele e Sarah. Ou o amor que foi. Ou o amor que poderia ter sido, e jamais teria uma chance nova de ser.

 Shadows of love, by Jannaaikadeja

O livro tem um tema incrivelmente interessante. Especulações científicas a respeito do cérebro humano e de suas capacidades inimagináveis já foram também a premissa de outros livros de S. King, como um dos últimos, "Celular", mas com o talento de tornar cada livro único, o autor consegue imprimir algo sempre novo, diferente e bizarro em seus textos.

Confesso: Stephen King é pra mim algo assim, tipo... uma cascavel cujo olhar hipnotiza, prende. Aterroriza, mas prende. Por mais assustadoras que sejam suas histórias, elas conseguem me prender. Só houve uma vez em que atirei longe o livro, cansada e, francamente, com baixo astral. Todas as outras vezes, não pude parar.

Zona Morta é um livro que assusta, comove e nos faz desejar poder mudar o rumo de alguns personagens. John Smith foi um dos personagens que mais me comoveram, de toda a extensa galeria de protagonistas de King. Pobre Johnny, com tanta alegria, jovialidade e vida pela frente: Queira Deus que todas as especulações sobre 'zonas mortas' do cérebro não passem de ficção, mesmo.

O final é tenso, e em vários momentos, dá vontade de pular páginas para chegar logo lá... Um boa medida de "embromação" está presente nesse livro também, quando o autor descreve longamente as meditações de Johnny, de Sarah e de outros personagens.

Porém, o livro é bom. O final poderia ter sido melhor, e como em "Celular", a gente termina com uma vaga sensação de vazio... como se esperasse por uma continuação. Mais feliz, de preferência.








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2 comentários:

Pat Kovacs disse...

Vi o filme, uma única vez, quando criança. Me impressionou muito! Era daquela época em que os filmes eram bem feitos, sem ofensas aos livros dos quais se originaram - muito diferente do cinema de hoje, que é só efeitos especiais e ações enlouquecidas para mascarar a falta de conteúdo e história.
Não sabia, porém, que o filme era baseado num livro, menos ainda que era de Stephen King!
Unindo esses elementos à sua resenha... o livro deve ser fa-bu-lo-so!

Aris disse...

Livro bom, filme bom e um seriado bem legal :-)
Bj, Aris.
PS: passando seu blog em revista :-D