Mary Sharratt - Ponto de Fuga



Mary Sharratt e o ponto onde três almas se desencontram...


América do século XVII. As irmãs Hannah e May têm seus destinos misteriosamente entrelaçados. Esperta e curiosa, Hannah Powers guarda um segredo: o pai a iniciou na medicina, conhecimento proibido às mulheres. Já sua irmã May, bela e inconseqüente, ultrapassa todos os limites do decoro na pequena cidade inglesa em que vivem.
Depois de uma série de namoros, May é prometida a um primo distante que mora nas colônias do Novo Mundo. Com a morte do pai, Hannah também parte para a América selvagem. Ao chegar lá, descobre que a irmã está desaparecida. Mas como? E por quê?
O cunhado, Gabriel, um caçador que vive isolado numa antiga plantação de tabaco, afirma que ela e seu bebê morreram no parto. Na cidade vizinha, porém, não faltam versões diferentes, que vão do assassinato à fuga desesperada.
Dividida entre a dedicação a May e a crescente atração pelo marido dela, Hannah precisará desvendar a verdade. Assombrada pela dúvida, sua busca por respostas é cada vez mais tortuosa.

Editora: Suma de Letras
Assunto: Literatura Estrangeira - Romance
1ª Edição – 2007
368 Páginas

O QUE ACHEI:
Um livro que exigiu vasta pesquisa por parte da autora e que, segundo ela, foi recebido por sua agente literária com um muchocho e uma recomendação: Jogue no lixo. Que seria o tipo do romance pertencente a uma época que os leitores não estavam interessados em conhecer. Bem, eu diria mais: O livro é muito bem escrito. Exala poesia, uma poesia tipicamente anglo-americana, ressaltando qualidades e defeitos de uma nação que começava a dar os primeiros passos em direção à civilidade. E diria também que, apesar de ser poético, o livro não pode ser chamado de "romântico", no sentido em que é concebido hoje em dia, pela grande maioria das leitoras. Tem romance e tem drama, mas nada de finais melosos e encontros água-com-açúcar, entre belos cavalheiros e damas lindas e arrogantes.
Os tais cavalheiros, narrados em romances água-e-açúcar publicados pelas editoras de banca até existiram... Mas, através da narrativa de Mary Sharratt, podemos perceber que eram parcos, raríssimos, no território americano recém-colonizado. E eram mais abundantes os tipos durões, alguns bem cruéis e impiedosos, sem nenhuma gentileza - exatamente como os senhores-de-engenho aqui do Brasil colonial.

A história é sobre duas irmãs, uma doce e tímida (Hannah), a outra aloprada, atirada, corajosa e ninfomaníaca (May). O pai, um médico dedicado na Inglaterra do século XVII, sente-se cada dia mais velho e fraco, e com a péssima reputação que May conseguiu (de rameira, porque era isso, de fato, o que ela era), não vê alternativa para casar a filha, exceto enviá-la para se casar com o filho de um primo, na distante América do Norte recém-colonizada.

Hannah implora para que a irmã desista, pois algo dentro dela diz que jamais tornará a revê-la... mas a impulsiva May não desiste e diz que quer, de fato, essa aventura. E se atira de cabeça na emoção de conhecer o Novo Mundo e recomeçar.

Anos depois, quando o pai falece, Hannah vai atrás da irmã, mas tudo o que ela tem, são umas cartas, nas quais May pouco fala do jovem marido, Gabriel (que é mais jovem que ela, uns quatro anos), do sogro e dos criados irlandeses. Diz que mora em plena selva e o sogro, Nathan, é mão-de-ferro, dirige a fazenda como um general e que os criados o temem, bem como o marido.

Quando chega lá, Hannah se depara com o inimaginável. Descobre que May está morta, Nathan está morto, e que Gabriel, o viúvo, vive sozinho.

Não vou contar e encher de spoilers, para quem quiser conhecer a história tintim por tintim. Então, resumindo: O livro não é suspense. Não existe um crime propriamente, embora abundem mexericos. Não há uma investigação. Também não é sobrenatural, apesar de algumas menções a dons de magia e xamanismo dos escravos negros do continente.

É um drama. Eu não posso dizer que gostei, pois preferia um final mais feliz. Mas dá uma leitura interessante, e a história de amor entre Hannah e Gabriel nos deixa muito nostálgicas e pensativas...

Esse mundo - ou melhor, o mundo do século XVII - era muito cruel. Hoje em dia muitas coisas são diferentes, e devemos dar graças a Deus por vivermos em um mundo democrático, onde todo ser humano e todo animal tem, ao menos, leis mais justas para os defenderem.

Faz refletir e faz com que pensemos cada vez mais no que representamos para os seres que amamos, no que podemos melhorar, o que devemos evitar, que defeitos temos e como nos livrar deles. Porque só damos realmente valor a algo ou a alguém, depois que o perdemos, não é mesmo?







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6 comentários:

Eliana disse...

Achei interessante a sua resenha. Vou tentar encontrar o livro para ler.

Jossi Borges disse...

Oi, Eliana! Acho que se gostou da sinopse-resenha, vai gostar da história. É uma bonita história de amor, apesar dos dramas e reviravoltas, e nos deixa com o coração na mão, torcendo para o casal Gabriel & Hannah ficarem juntos. ;)

Ninna disse...

Sua resenha me deixou com vontade de ler o livro. Obrigada por compartilhá-la.

Ninna disse...

Sua resenha me deixou com vontade de ler o livro. Obrigada por compartilhá-la.

Beatriz Oliveira disse...

Eu li. Duas vezes. Lindo e triste. Nostálgico. Queria um final mais feliz, porque remediado é pouco para os românticos.Vale a pena ler.

Beatriz Oliveira disse...

Eu Li duas vezes. É muito injusto um amor tão lindo ser tão mal compreendido. Sofrer de amor e viver de lembranças não é legal. Mas o livro é muito bom, Recomendo. Leia e tire suas conclusões.