H. P. Lovecraft - A coisa na soleira da porta


H. P. Lovecraft - A coisa na soleira da porta
Esse conto de Lovecraft pode ser encontrado nas melhores antologias do autor, entre os chamados "Mitos de Cthulhu", mitologia essa totalmente criada pelo grande escritor de horror e fantasia.

Esta é a história estranha do ainda mais estranho Edward Derby, contada por seu amigo íntimo, Dan, ambos moradores em Arkham.
Edward era um jovem mimado, nascido em família rica e tinha um grande intelecto e grande pendor para o esoterismo e ocultismo. Se temperamento era fechado, introspectivo e sua vida social limitada a poucos amigos e alguns colegas de faculdade.
Em certa altura da vida, ele conheceu a misteriosa Asenath Waite, da qual os vizinhos diziam que era uma espécie de feiticeira, maga, filha do sombrio Ephraim Waite.
Não era uma mulher bonita, e Dan lamentou que o amigo se apaixonasse pela esquisitíssima Asenath, que tinha olhos salltados e reputação de bruxa.
Uma relação perigosa que, com o passar do tempo, provou a Dan ser ainda pior do que ele imaginou, mesmo em seus pesadelos mais terríveis!

O QUE ACHEI:

Como a maioria dos contos e noveletas fantásticas de Lovecraft, esse é outro que pertence ao chamado 'ciclo de Cthulhu', com seus habitantes meio-gente, meio-peixes, seus horrores mórbidos que sempre perseguem o protagonista (ou alguém próximo deste) e o clima de suspense, cheio de mistérios e criaturas nascidas do pesadelo.



Entretanto, para nós do século XXI, acostumados a filmes e livros do tipo "Alien", "Sexta-feira 13", "A Hora do Pesadelo" e afins, os contos de Lovecraft não são tão assustadores assim... Mas são interessantíssimos, do ponto de vista literário. Mesmo para quem já leu todo tipo de história de horror e fantasia moderna, os contos e histórias de Lovecraft inspiram uma profunda comoção e uma sensação de desconforto psicológico que só termina, quando se lê a última linha. Ou seja, assustam também, de uma maneira sutil, mas assustam. E isso é que os torna viciantes. Não há monotonia, apesar de o tema ser quase sempre o mesmo, os terrores advindos daquela inominável criatura chamada por ele de Chtulhu (eu, de maneira singela, chamaria simplesmente de diabo). Não há um só conto que seja igual ao outro, seja no enredo, seja no clima psicológico.

Esse, "A Coisa na soleira da porta" não fica devendo nada aos demais; o clima de medo começa na primeira linha, quando Dan afirma: 



"É verdade que disparei seis balas na cabeça de meu melhor amigo e, ainda assim, espero mostrar, com esse depoimento, que não sou o seu assassino."
 Uau.

Depois dessa assustadora confissão, ele inicia a história de Edward, que foi se interessar pela esquisitona da cidade, Asenath.
Não há nenhum clima romântico entre eles (não existe romantismo em nenhum dos textos de Lovecraft), mas mesmo assim, o leitor ainda pode torcer para que houvesse, pelo menos, uma atração física entre ambos... parece que o Cupido aqui foi mesmo a similaridade intelectual entre eles. Nada mais.

O tempo passa e os temores de Dan se confirmam, trazendo à tona mais um episódio referente à antiga mitologia de Cthulhu, sendo Asenath a pérfida vilã que vai torturar seu marido da maneira mais bizarra e louca possível.

Um conto muito bom, vale a pena. Nota 10!




Share:

1 comentários:

Jossi Borges disse...

Um dos melhores livros de suspense, terror e romance que já li!
RECOMENDO!!!