Adriano Siqueira - Um Grande Amor


            Miriam tinha se transformado em uma vampira e todos os meus amigos estavam mortos na sala.

            Antes que ela saísse para caçar, disse que me deixaria viver porque precisava se alimentar, caso não encontrasse mais ninguém...

            Eu tinha tentado usar a cruz, mas Miriam era muito forte e arrancou-a de mim, jogando em direção à lareira.

            Depois que ela saiu, fui correndo para a lareira em busca da cruz, quando a achei, chutei para o centro da sala. A cruz, que era de madeira, estava em pura brasa e eu sabia que quando Miriam chegasse, ela estaria puras cinzas. Não pensei duas vezes! Joguei-me de encontro a cruz incandescente, caindo diretamente com o meu peito sobre ela. Logo senti o cheiro da minha pele queimada. A dor era tão forte, que desmaiei...

            Quando Miriam chegou em casa, me viu caído de bruços no chão da sala.

            — Venha meu querido, me dê um pouco mais do seu sangue!! Preciso de você!

            Quando Miriam me vira, eu a abraço.

            — Você me quer, você me terá! Sou todo seu!

            Miriam sente a cruz tatuada no meu peito e ela grita muito, mas eu fiquei segurando-a até começar a virar fumaça.

            Ela tenta me morder, mas ficou muito fraca. A sua parte humana estava começando a aparecer através da mudança em sua face quando ela disse:

            — Mataria seu filho?

            Larguei-a. Ela estava grávida. Só Deus saberia meu destino agora. Fiquei ajoelhado, esperando quieto que ela me atacasse.

            Mas aquela noite parecia não ter fim. A porta da sala voa como papel ao vento e vejo o vampiro que a mordeu! Ele vai ao encontro de Miriam e novamente enfia os caninos no seu pescoço, suga todo o seu sangue até ela cair no chão inerte...

            Morta!

            Ele ria muito e caçoava de minhas tentativas de matá-la.

            — É assim que faz, humano idiota! A fome sempre será alimentada enquanto houver tolos como você!

            Novamente mostrei meu peito com o sinal da cruz e ele se afastou.

            — Eu voltarei! - Transformando-se em morcego, ele desapareceu.

            Nada me resta, a não ser a esperança de que um dia haverá justiça.

Abraços e uma adorável noite!
Adriano Siqueira


FONTES:

Conto cedido pelo autor Adriano Siqueira.
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